domingo, 17 de junho de 2012

Decisões

Viver é tomar decisões. Estar, ser, ou não, continuar ou desistir, ir ou ficar... 
Quando tinha uns 11 anos li aquele poema da Cecilia Meireles que se chamava "Ou isto ou aquilo", e lembro de ter me identificado muito. Copiei várias vezes em cadernos que tinha, colei na parede... Coisas de menina. Coisas minhas.
Naquele momento não via o lado negativo de ter dúvidas.
Agora vejo. Que difícil se torna a vida da gente quando não sabemos pra onde ir ou o que fazer dela.
Como disse Seneca "nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir".


Minha passagem de volta estava comprada pra 13 de junho, terça passada. E a questão "o que fazer?" estava presente a cada minuto dos meus dias.
Somada a uma depressão, leia-se vontade de nada, a dúvida chegou a um ponto insuportável. Podia voltar pro Brasil sem ver a exibição do meu filme (que era no dia seguinte, 14), trocar a passagem e ficar até o fim da semana, ou trocar a passagem e ficar mais tempo por aqui. As duas últimas opções significavam gasto de dinheiro, e isso também me preocupava.


Decidi ficar mais. Depois de receber uma mensagem da Mix, conversar com meus pais e ver que era possível ficar gastando pouco e melhorando meu currículo.
Estou tentando um estágio legal em Madrid. Lá eu moraria com amigas, não gastaria em aluguel... E é uma cidade com muita cultura. Se não rolar o estágio vou tentar viajar, talvez Berlim, ou algum lugar que eu possa praticar inglês e trabalhar em qualquer coisa. Enfim, vamos ver o que surge.


A exibição do filme foi bem legal, recebi elogios, tiramos fotos, me arrumei pra estar bonita... Foi uma experiência gostosa. Depois saímos todos pra comemorar e ficamos bem bêbados, rimos, choramos, cantamos no karaoke... E no fim da noite outra vez aquele vazio tomou espaço. É assim, sem explicação, que ele vem. Sempre que estou bem ele aparece e diz "porque você tá feliz? isso não faz sentido!". E fico triste, e sinto falta. Falta do Juan, falta dos pais, da irmã, dos amigos... Solidão outra vez. Meu aprendizado do ano. Que espero terminar de assimilar antes de voltar.


As despedidas aqui vão se intensificando. Amigos que voltam pras suas cidades, países, rotinas... Já ando por Granada me despedindo dela, agradecendo por tudo o que vivi aqui. Sentimental? Não, imagina.


Sinto uma vontade imensa de ganhar o mundo, e ao mesmo tempo uma não-vontade imensa. Medo de tudo, preguiça de tudo, dúvida. E aí cabe a decisão. Quem quero ser? Júlia, pobre menina que foi deixada pelo namorado e passou anos deprimida, com pena de si mesma, sofrendo por um amor que ela queria acreditar que era perfeito... ou Júlia, menina corajosa que cruzou um oceano para ir até o fim de uma relação, que ao descobrir que não funcionava chorou, mas nunca deixou a tristeza dominar sua vida, e foi atrás dos seus sonhos.

Em breve darei novas notícias da minha aventura européia. Tenho momentos bons e ruins, faz parte. Mas sei que essa decisão de ficar me fortalece. Eu posso muito mais do que penso. E sei que lá fora existem milhões de possibilidades, basta querer ver.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Momentos difíceis

É gente, não é fácil. A gente acha que tá bem e no dia seguinte parece que vai morrer de tristeza.
Sexta fui buscar as malas na casa do Juan com uma amiga e foi super rápido, nem deu pra sofrer.
E ontem tive um dia difícil, fui almoçar com os pais do Juan para me despedir. A Encarna só tinha esse dia livre antes de eu ir embora.
Almoçamos num restaurante perto da entrada da Alhambra. Conversamos muito, passamos a tarde juntos, os três. Eu queria fazer isso porque acho que terminar as etapas bem é melhor do que deixar a coisa sem terminar direito. Eles são uns amores, tenho muito carinho e sempre vou ter. 
Quando voltei pra casa desmoronei. Depressão outra vez. Lembrando do Juan, sentindo saudade, lembrando dos nossos planos e sonhos que agora não vão se concretizar, sufocada, chorando... um horror. Escrevi um e-mail pra ele perguntando como está, ele não respondeu até agora. Mais um motivo pra cair nesse "buraco negro". Fui pra casa de uma amiga porque não dava pra ficar sozinha. Conversei com ela e aproveitei pra organizar minhas malas, que estão na casa dela.
As malas estão muito pesadas e achei que ia jogar mil coisas fora, mas vi que estou ainda muito apegada a tudo o que tenho. Vou tentar fazer essa limpa em outro momento pra ver se consigo esvaziar um pouco mais.
Hoje acordei mal, com um pouco de febre e corpo doendo. Fui pra aula porque não posso faltar, mas não fiz quase nada. É a última semana de pós-produção do meu curta e estou muito desmotivada. Não ficou nada do que eu imaginei. Bom, o primeiro filme a gente perdoa né? 
Comprei vitamina C e paracetamol de 1g, vim pra casa, almocei e dormi a tarde toda. Pensei que ia acordar bem, mas não. Continuava igual. Tomei outro paracetamol e estou "bem" graças a isso.
Acho que depois de amanhã já vou melhorar. Foram muitas cargas emocionais esses dias, e o corpo reflete isso.
Amanhã vou fazer uma comprinha de comidas pra ficar forte, porque aqui eles comem muito pouco, não sei como ficam de pé. 


Não posso esquecer que "isto também passará". Passar por dificuldades faz a gente ficar mais forte. E a vida não vai parar porque estou mal, ainda bem.


Beijos e até a próxima, espero que com melhores notícias.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Um dia de cada vez

Aqui estou, já totalmente adaptada à minha nova rotina.
Que rápido!


Mas ainda falta me adaptar à minha nova condição. De solteira, de mulher que tem que aprender a ser mulher, forte, segura, completa.
E isso não é tão rápido. Mas tudo bem, não devo ter pressa.


Hoje foi o primeiro dia de montagem do meu curta. Até que vai ficar legal, mas claro que não chega nem à metade do que eu imaginei. De qualquer forma aprendi muito com ele.


Ontem fui ao cinema com as amigas. Fazia muito tempo que eu não ia ao cinema! Que vergonha.
Assisti "Intouchables", um filme francês que mostra a relação de um tetraplégico e seu “cuidador”. 
Valeu a pena gastar os 3,50! É um drama/comédia que te faz sair alegre do cinema. Muito legal.


Acho que vou ficar aqui até o dia 23 de junho, assim tenho tempo de fechar bem esse ciclo. Festa de fim de curso, exibição dos curtas, terminar alguns projetos já começados e realizar um novo bem curto que surgiu segunda-feira.


Foi curioso; estava andando pelo Albaicín, bairro que estou morando agora, e cheguei numa praça pequena, linda, que nunca tinha estado antes. Tava um dia muito gostoso. E de repente chegou um cara com um violão e começamos a conversar. O cara é italiano, meio hippie, se chama Matteo (acho que todos os italianos se chamam Matteo) e já morou 7 meses no Brasil. Falamos em português. Ele também se separou da namorada há umas 3 semanas e rolou uma conexão impressionante! Falamos de caminho, de dor, de vida, crescimento... Enfim, muito legal. E ele perguntou se eu queria fazer um video pra uma música dele. É instrumental e tem uma poesia de um amigo dele bem bonita, recitada no meio da música. Vou fazer. Não foi por acaso que a gente se cruzou. Senti uma paz interna muito grande com essa conversa, e passei o dia sorrindo. Muito legal receber um presente desses num momento difícil.


Bom, vou tentar domir uma siesta! Beijos e até a próxima.