Quando tinha uns 11 anos li aquele poema da Cecilia Meireles que se chamava "Ou isto ou aquilo", e lembro de ter me identificado muito. Copiei várias vezes em cadernos que tinha, colei na parede... Coisas de menina. Coisas minhas.
Naquele momento não via o lado negativo de ter dúvidas.
Agora vejo. Que difícil se torna a vida da gente quando não sabemos pra onde ir ou o que fazer dela.
Como disse Seneca "nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir".
Minha passagem de volta estava comprada pra 13 de junho, terça passada. E a questão "o que fazer?" estava presente a cada minuto dos meus dias.
Somada a uma depressão, leia-se vontade de nada, a dúvida chegou a um ponto insuportável. Podia voltar pro Brasil sem ver a exibição do meu filme (que era no dia seguinte, 14), trocar a passagem e ficar até o fim da semana, ou trocar a passagem e ficar mais tempo por aqui. As duas últimas opções significavam gasto de dinheiro, e isso também me preocupava.
Decidi ficar mais. Depois de receber uma mensagem da Mix, conversar com meus pais e ver que era possível ficar gastando pouco e melhorando meu currículo.
Estou tentando um estágio legal em Madrid. Lá eu moraria com amigas, não gastaria em aluguel... E é uma cidade com muita cultura. Se não rolar o estágio vou tentar viajar, talvez Berlim, ou algum lugar que eu possa praticar inglês e trabalhar em qualquer coisa. Enfim, vamos ver o que surge.
A exibição do filme foi bem legal, recebi elogios, tiramos fotos, me arrumei pra estar bonita... Foi uma experiência gostosa. Depois saímos todos pra comemorar e ficamos bem bêbados, rimos, choramos, cantamos no karaoke... E no fim da noite outra vez aquele vazio tomou espaço. É assim, sem explicação, que ele vem. Sempre que estou bem ele aparece e diz "porque você tá feliz? isso não faz sentido!". E fico triste, e sinto falta. Falta do Juan, falta dos pais, da irmã, dos amigos... Solidão outra vez. Meu aprendizado do ano. Que espero terminar de assimilar antes de voltar.
As despedidas aqui vão se intensificando. Amigos que voltam pras suas cidades, países, rotinas... Já ando por Granada me despedindo dela, agradecendo por tudo o que vivi aqui. Sentimental? Não, imagina.
Sinto uma vontade imensa de ganhar o mundo, e ao mesmo tempo uma não-vontade imensa. Medo de tudo, preguiça de tudo, dúvida. E aí cabe a decisão. Quem quero ser? Júlia, pobre menina que foi deixada pelo namorado e passou anos deprimida, com pena de si mesma, sofrendo por um amor que ela queria acreditar que era perfeito... ou Júlia, menina corajosa que cruzou um oceano para ir até o fim de uma relação, que ao descobrir que não funcionava chorou, mas nunca deixou a tristeza dominar sua vida, e foi atrás dos seus sonhos.
Em breve darei novas notícias da minha aventura européia. Tenho momentos bons e ruins, faz parte. Mas sei que essa decisão de ficar me fortalece. Eu posso muito mais do que penso. E sei que lá fora existem milhões de possibilidades, basta querer ver.