quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Isso também passará


Nem sei por onde começar!
Tanto tempo sem escrever... Na verdade acho ótimo, porque isso significa que tenho uma vida ativa aqui! De um tempo pra cá essa questão tem estado muito presente: tempo que gasto em frente ao computador X minha vida (social e interna).

Bom, posso começar dizendo que ontem, pela primeira vez, senti frio de verdade aqui. Hoje de manhã quando ia pro curso, olhei o termômetro da cidade e marcava 4 graus; uma premissa do que vem por aí...
O outono está acabando e logo logo vou estar o dia inteiro com gorro e luvas, pesando o triplo do normal com todos aqueles casacos. Pesando mais do que o normal eu já estou, porque a alimentação daqui é bem mais gordurosa e me deu de presente uma barriguinha super “charmosa” (referência: Pulp Fiction, a mulher do lutador de boxe).
A verdade é que eu adoro as comidas espanholas, mas sei que elas são fortes e “perigosas”, e por isso sinto falta do arroz e feijão de cada dia. Parece que a alimentação no Brasil é mais saudável, um dia pergunto a um nutricionista para ter certeza (de preferência um que não seja espanhol!).

Falando de fim de outono me vem a imagem da Gran Vía, a avenida pela qual eu passo todos os dias, com árvores de Gingko Biloba dos dois lados. As folhas agora estão todas amarelas e caem o tempo todo com o vento, deixando as árvores peladas.
Que belo é o outono! No Brasil praticamente não existe essa estação, mas aqui ela é muito visível: tons amarelados, alaranjados, vermelhos... folhas no chão... É lindo demais, e me inspira de uma forma melancólica (no bom sentido).

De vez em quando faz
sol e aí todas as “maris” (assim são chamadas as donas de casa aqui)lavam as roupas, o que eu adoro, porque os varais das varandas ficam cheios e coloridos, e enquanto passeamos pelas ruas sentimos aquele cheirinho gostoso de roupa lavada. Mas a verdade é que estou curiosa para sentir o inverno de verdade (e sei que vou me arrepender de ter falado isso haha).

Outro dia foi aniversário do Jan, um amigo do grupo de Arcos que é muito amigo do Juan e mora aqui em Granada. Fizemos um jantar pra ele super caprichado aqui em casa! Vieram também a Mariana, a Elena e o Bruno, todos amigos do grupo muito queridos.

No curso está tudo ótimo: a cada dia aprendo coisas novas e me aproximo mais dos outros alunos. Episódios:

1)
Corda bamba. Convidei o pessoal do curso pra fazer a corda de equilíbrio num parque, e a Judit (catalã que está morando aqui com o namorado) foi a única que topou. Fomos eu, Juan, ela e o namorado - Adri. Escolhemos um parque que fica no final do Camino de los Tristes, uma rua estreita ao lado de um rio, com restaurantes e lojinhas pra turista, muito bonito. O parque fica em frente a uma escola de artes cênicas, é bem pequeno e tem aqueles aparelhos de academia ao ar livre. Descendo um pouco, encontramos as árvores perfeitas pra montar a corda; o único porém é que ficavam ao lado da “casa” de um mendigo. No início estava tudo certo, ele lá (com um amigo) e nós aqui. Do outro lado do rio um homem tocava jazz no sax, perfeito! Quinze minutos depois, chega um senhor com sua máquina fotográfica digital e um pedaço de romã na mão. Ele começa a conversar com a Judit sobre fotografia, falando bem baixinho sobre saturação de cores, densidade de negros, etc, e depois oferece a romã pra mim. Aceitei por educação e fiquei desconfiada, mas depois abrimos aqui em casa e está aqui até hoje, às vezes coloco na salada. Bom, de repente, o bêbado e seu amigo se aproximam. O amigo ficou quieto rindo e olhando pra gente, e o mendigo bêbado começou a contar sobre seus anos dourados, quando ele explorava minérios (pelo que entendi) e fundia aço, ou coisa do gênero. Ele trouxe seu radinho de pilha, ligou e adeus jazz! Passamos uma tarde dessas loucas, onde tudo acontece e a única coisa que se pode fazer é rir.
Depois fomos a uma casa de chá e combinamos de ir qualquer dia desses a um flamenco desses de ciganos bem tradicionais.


2) Día de la Escuela. É um dia que a escola promove, no qual acontecem oficinas durante o dia, tapas durante a tarde e entrega de diplomas + fetinha à noite. Eu e Andrés fomos escalados para filmar a entrega de diplomas, e a Teresa (uma mulher de 50 anos que tem patos em casa como bichos de estimação) para monitorar o som. Percebi que os professores sentem firmeza em nós dois, porque os outros alunos ficaram em funções super chatas e de menos responsabilidade. À noite chegamos no hotel onde seria o evento e estavam todos super arrumados, nós estávamos de calça jeans e tênis, normais. Deu aquele frio na barriga porque pela primeira vez eu ia fazer câmera em um evento de verdade! O plano ficou horrível porque o som tinha que ser gravado na câmera e o cabo da mesa de som não chegava muito longe. E deu um problema com o cartão de memória, o que me impediu de gravar o início - a parte mais importante.
Acabei monitorando o som também, porque a Teresa não sabia muito bem o que fazer. Ela não parava de falar e me deixava nervosa, tive que trabalhar a paciência. Aliás, com ela eu trabalho essa virtude todos os dias. Tadinha, ela tem dificuldade de entender tudo, e eu tenho dificuldade de entendê-la. Mas fora isso tudo certo. Depois nós três fomos na festa, que era num bar super legal que fica dentro da Plaza de Toros. Ganhamos uma cerveja e um drink, bebemos, conversamos, comemos uns salames que serviram e fomos embora. Falamos dos nossos passados e das nossas famílias, até o momento em que a música estava tão alta que não dava mais pra conversar, e aí fomos embora. Eu e Andrés fomos conversando no caminho - porque íamos para o mesmo lado - e ele foi me contando do mochilão que fez dois anos atrás pela Europa. Fiquei com vontade de fazer uma viagem sozinha, eu comigo mesma, que foi o que ele fez. E estava com tanta vontade de fazer xixi que tive que encurtar a conversa.

3)
Cumpleaños. Outro dia foi aniversário do Andrés, um argentino super gente fina, e fomos convidados para a casa dele. Chegando lá, conhecemos Martha - a namorada - e outros amigos simpáticos que também estudam câmera em uma escola mais alternativa que a nossa. A Martha tinha preparado várias comidinhas gostosas, incluindo um canapé delicioso que vale a pena descrever: torradas daquelas quadradas com geléia de frutas vermelhas, queijo de cabra e cebola caramelizada. Que delícia! Depois cantamos parabéns e fomos embora.

4) Filmagem. A professora de câmera dividiu a turma em dois grupos de 5 e disse pra escrevermos um roteiro para filmarmos usando tudo o que já aprendemos. O principal era que tivesse “cambios de eje” (em português eje é eixo, algo fundamental em cinema). Meu grupo criou uma história de três palhaços que fazem roleta russa pra decidir quem vai ficar com o pagamento do mês. É também uma sátira com a situação espanhola de crise e com a eleição do novo presidente de direita. Eu vou ser a câmera, tô feliz de ter tantas oportunidades de pegar a câmera!

5) Tias babonas. Hoje fomos de tapas pra discutir a filmagem de sexta e a Tamara (uma menina muito legal que nasceu perto de Caceres) levou o laptop dela. No fundo de tela tinha uma foto dela com a sobrinha de cinco meses! N˜ão aguentei e mostrei pra eles a foto da Keiko que tenho no meu celular!! Todos babaram. O Carlos - único menino do grupo - comentou “morena e japonesa? ela vai ser muito bonita”, achei legal o comentário hahah. Ele é o que eu mais me identifico do curso, é canadense mas mora na Espanha há cinco anos. A gente gosta dos mesmos diretores, e temos ideias parecidas sobre filmagem e até sobre vida, pelo pouco que conversamos.

Mudando de assunto, sexta passada fui pra Madrid com a Maite, uma menina do curso. Foi muito bom ter ido! Chegando lá fui super bem recebida pela Laura e pela Lucia, duas amigas do grupo. O Gui também estava lá, e na verdade eu fui pra encontrar com ele, como estávamos combinando desde que eu estava no Brasil.
Sexta foram umas 15 pessoas pra casa da Laura (onde eu, Gui e Lucia ficamos hospedados), ficamos todos bêbados (rum + coca-cola) e fomos a uma boate. Dancei muito! Até ganhei um “chupito” (uma dose) do DJ!
Sábado passamos o dia de ressaca. Eu e Gui acordamos antes dos outros e fomos desayunar numa padaria. Que falta faz o pão na chapa com suco de laranja e café! O senhor que nos atendeu estava de “mala leche”, ou seja, estava de mal com a vida, e só faltou nos expulsar quando o Gui perguntou gentilmente pelo leite do café dele. Sinistro. Depois relembramos os velhos tempos e fizemos uma macarronada ao molho vermelho pra galera, sucesso. Passamos o resto do dia vendo tv, quanto tempo que eu não fazia isso! Muito bom! haha Também tivemos uma ótima conversa sobre relacionamentos, etc. E falamos do conto que tem a frase “isso também passará”, muito bonito e forte, e desde então tem estado bastante presente pra mim; por isso resolvi colocá-lo no título do post. Quando eu encontrá-lo posto pra vocês.
Continuando: à noite jantamos duas vezes: a primeira foi batata ao forno com manteiga e a segunda foi chinês, que pedimos pelo telefone. Tenho a leve impressão de que o chinês brasileiro é mais “limpinho”.
Domingo eu e Gui tentamos ir ao Prado, mas era dia de eleições e a exposição permanente estava fechada. Acabamos no lugar mais óbvio: a Zara. hahaha Só rindo. À noite saímos de tapas com as meninas, um amigo delas e uma amiga paulista do Gui. Era um lugar mais chique e comemos tapas riquísimas: pulpo a la gallega, papas ali oli e um de lula que eu não lembro o nome. As tapas não são como aqui que você pede uma cerveja e vem junto. Lá você paga separado e é caro. Amo Granada! haha
Segunda resolvi voltar de ônibus. Não recomendo a ninguém. Peguei o último e pior lugar: a fileira lá de trás, que tem quatro lugares e a cadeira não deita. Do meu lado esquerdo, um obeso que estava tossindo o tempo todo. Do meu lado direito, uma senhora que roncava. Cheguei exausta em casa.
Quero voltar à Madrid outras vezes, tem muita coisa pra conhecer. Mas a viagem foi ótima; sempre bom estar com os amigos. Me fez ver muitas coisas... As conversas que tivemos também foram ótimas e senti que foram de coração pra coração, brega mas sincero.

Hoje os pais do Juan fizeram uma visita express. O Miguel tinha uma encomenda pra entregar em Malaga e eles resolveram passar aqui pra deixar umas coisinhas pra gente e ver o Juan. Renovaram nosso estoque de azeitonas aliñadas (temperadas), aspargos, laranjas e UM GALÃO DE AZEITE DE PRIMEIRA PRENSA FEITO COM AS AZEITONAS QUE TIRAMOS JUNTOS DAS ÁRVORES (foto do post)!!! Isso não tem preço.
A Encarna me deu mais coisinhas de frio: umas blusinhas pra colocar por baixo de tudo e um roupão pra sair do banho e não pegar frio (que fofa é a minha sogra!).

Acho que já escrevi bastante né!?
Espero que estejam todos bem!
Beijos a todos e até o próximo post!

4 comentários:

  1. Amigaaa, ri muito com seu post!! Muito legal! Muito feliz de ler suas "aventuras"! Me sinto com um pé aí! hehehe... Muitos beijos (L)

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  2. Nossa Ju! Quanta coisa você tá vivendo aí! Queria estar com você, mas lendo o que você escreve já me sinto mais próxima :)
    Um beijão,
    Mari

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  3. ebaaa adoro as noticias! ai meu deus como eu quero ir te visitar, queria ver essas arvores lindas! botei no google! hahaha beijos!!

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  4. haha quantos nomes diferentes! que bom que vc tem conhecido uma boa galera aí ju... tô esperando ler notícias de você esquiando! beijo grande

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